SHOW "ESSA MULHER": 30 ANOS DE ESTREIA

A capa do suplemento do Jornal do Brasil mostra o que seria mais um show de sucesso de Elis. O ano era 1979, e Elis colhia os frutos da música O bêbado e a equilibrista (João Bosco e Aldir Blanc) ter caído na boca do povo e se tornado o Hino da Anistia. O show Essa Mulher caiu na estrada no dia 30 de agosto, há exatos 30 anos, menos de um mês depois de Elis voltar de uma temporada internacional, onde se apresentou em festivais de jazz em Montreux (Suíça) e Tóquio e na Bélgica, ao lado do gaitista Toots Thilemans. Segundo o jornalista Zuza Homem de Mello escreveu à época, Elis voltava ao Brasil “para mostrar, com seus músicos ( Moreno, Nenê, Chacal, Crispim e Ricardinho Silveira) e César Mariano, como é a Elis internacional”. Elis vinha de dois outros grandes shows de sucesso Falso Brilhante e Transversal do Tempo e, dessa vez, havia decidido se focar mais na música, abrindo mão de cenários e objetos de cenas tão explorados nesses dois trabalhos anteriores. Aliás, o show não trazia quase nem cenário, apenas um pano branco no fundo do palco com a imagem de uma orquídea. A flor também aparecia nos cabelos de Elis, que agora estavam compridos. O vestido, um longo rosa com bolinhas brancas, foi desenhado pelo estilista Clodovil. Há também imagens de Elis se apresentando em Porto Alegre com outro figurino, um conjunto branco. 
No repertório algumas canções dos discos, como os sambas Eu, hein Rosa, Cai dentro, Basta de clamares inocência (que abriam o show), além de Essa Mulher, As aparências enganam e O bêbado e a equilibrista. Eu, particularmente, acho que todas poderiam estar no roteiro. Senti falta, principalmente, da belíssima Altos e Baixos, que se encaixaria no roteiro antes ou depois de As aparências enganam, e Pé sem Cabeça (acho que Elis arrebentaria cantando ao vivo). Elis ainda restaria os antigos sucessos A Comadre (1973), Conversando no bar (1974) e Um por todos (1976). Ela também cantava Corsário, apresentada por ela em um especial da TV Bandeirantes e que, infelizmente, nunca entrou em nenhum disco de carreira de Elis. Havia também canções novas que Elis incluiria em seu LP duplo saudades do Brasil, lançado um ano depois: Onze fitas, Menino, Mundo novo, vida nova, Agora tá e Maria, Maria. A temporada de shows do Essa Mulher começou no final de agosto de 1979 e prosseguiu até ouço antes do Natal, passando por quase todas as capitais brasileiras. Segundo o programa do show, a turnê de Elis iria passar pelos seguintes locais: 30/08 a 06/09 – Interior de São Paulo; 14 a 16/09 – Anhembi/ SP; 17/09 a 06/10 – Sorocaba, Campinas, Mogi das Cruzes, Ribeirão preto, Piracicaba, Limeira, Uberaba, Uberlândia, Rio Preto, Araras, São Carlos, Bauru, Marília, Lins, Presidente Prudente, Londrina, São José dos Campos, Jundiaí, Taubaté e Santos; 09 a 21/10 – Porto Alegre; 25 a 28/10 – Curitiba; 31/10 a 18/11 – Belo Horizonte; 22 a 25/11 – Brasília; 28 a 31/11- Belém; 01/12 – São Luiz; 02/12 – Teresina; 05 a 09/12 – Fortaleza; 11 a 16/12 – Recife; 18/12 – Aracajú; 19 a 23/12 – Salvador. O programa do show - tradicionalmente distribuídos pelas gravadoras, e que, hoje em dia, caiu em desuso - também traz o texto que Elis escreveu para apresentar o espetáculo e que já foi reproduzido no CD Elis – Ao Vivo, que traz o registro ao vivo do Essa Mulher. Aqui, reproduzo a linda foto que acompanhou o texto no livreto:  O registro ao vivo do show Essa Mulher em uma das apresentações no Anhembi (SP) foi lançado pela WEA em 1998. Há também uma outra versão que circula pela internet com uma gravação registrada pela Rádio Cultura, também em São Paulo. Nessa gravação, Elis aparece um pouco rouca (era a segunda apresentação dela na mesma noite) e anuncia a presença do sociólogo Betinho (o irmão do Henfil) na plateia. Sobre o disco “Essa Mulher” Em entrevista à revista Música, número 34, de 1979, Elis falou um pouco do disco Essa Mulher, lançado em julho de 1979, que deu origem ao show. A revista diz que Elis está numa fase “mais fatale e menos ‘pimentinha’”. Na foto abaixo, Elis aparece ao lado do produtor Marco Mazola e do cantor Cauby Peixoto durante as gravações do disco. 
Música - Como foi a preparação de seu novo disco? Elis – O disco foi muito simples, teve que necessariamente ser simples, pois estava atravessando um período de muita turbulência, depois de estar 15 anos na Philips e passando para a WEA. A excitação da mudança, precedida por uma ansiedade minha em sair de onde eu estava, sacando que não dava mais pé, me levou a um papo com Midani (diretor da gravadora) e o Mazola (produtor), que me apresentaram um plano de trabalho complexo, que seria levado a cabo no Brasil e no exterior. Isso para um profissional é ótimo, mas o deixa também baratinado. Música – E como surgiu a elaboração do repertório? Elis – Bem, pelo curto prazo de tempo em que o disco foi feito, não deu para elaborar muito, tinha uma porção de música que eu já tinha mais ou menos selecionado. (…) A primeira música que me tocou muito foi Essa Mulher. Música – E o resto de repertório, como pintou? Elis – (…) Procurei fazer um disco parecido comigo, outras propostas, outros enfoques e debates mais profundos na colocação de certas músicas no repertório, me parecia difícil de ser feita, num momento em que nós todos, como sociedade, estamos atravessando por um período de transformações muito grande. A gente não sabia o que estava vivendo, nem o que ia viver. A revista também traz a listas de discos, compactos, músicas mais executadas, músicas do mês, entre outras. Elis aparece nas seguintes categorias: Músicas do Mês 1º lugar Não chores mais – Gilberto Gil 2º lugar O bêbado e a equilibrista – Elis Regina Elepês 1º lugar Pai Herói Internacional 2º lugar Álibi – Maria Bethânia 3° lugar Elis, Essa Mulher – Elis Regina Discos do mês 1º lugar Eu Canto - Fagner 2º lugar Álibi – Maria Bethânia 3° lugar Elis, Essa Mulher – Elis Regina Mais vendidos das gravadoras WEA 1° lugar - Elis, Essa Mulher – Elis Regina
Agradecimentos a Leandro Arraes que enviou a imagem que abre esse post
Escrito por Danilo Casaletti às 02h11
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