ELIS (ROUCA) EM ESSA MULHER

Em 1979, Elis estreou seu show Essa Mulher, que tinha como base o repertório do CD homônimo, lançado no mesmo ano.
Além de incluir no show músicas como “Eu, Hein Rosa”, “Cai Dentro”, “Essa Mulher”, “O Bêbado e a Equilibrista” (grande sucesso do ano que virou o hino da Anistia) e “Basta de Clamares Inocência” (inédita de Cartola lançada por Elis), Elis resgatou para as apresentações a deliciosa “Comadre” (João Bosco e Aldir Blanc, gravada por ela em 73), “Um Por Todos” (da mesma dupla, lançada no disco Falso Brilhante) e “Conversando no Bar” (gravada por Elis em 74 e que ganharia outra versão no disco Saudades do Brasil, de 80).
Com um vestido rosa assinado pro Clodovil, cabelos longos ladeados por uma orquídea (como Bille Holliday), Elis também apresentava no show algumas canções inéditas, como “Agora ta”, “Onze Fitas”, “Menino” e “Mundo Nova, Vida Nova”, todas gravadas por ela no ano seguinte no álbum Saudades do Brasil.
O registro ao vivo do show foi lançado em 2005, sob o título “Elis Vive”. Mas, o que eu apresento agora para vocês é uma outra versão desse mesmo show, gravada pela Rádio Cultura de São Paulo em setembro de 1979, no Palácio das Convenções do Anhembi, onde o “Essa Mulher” cumpria sua temporada paulista.
Curiosidades dessa gravação:
- nota-se que Elis estava rouca neste dia. Explico: aquela era a segunda apresentação de Elis na mesma noite. A primeira havia começa às 18h, e, a segunda, depois das 20h. O motivo? Primeiramente o sucesso do show. Mas, uma presença muito importante na platéia dava à apresentação um sentido histórico: Hebert de Souza, o Betinho, o irmão do Henfil, havia acabado de voltar do exílio e, segundo relatos, foi direto ao show para ouvir de perto “O Bêbado e a Equilibrista”; Claro que Elis fez questão de anunciar a presença dele. “Você já ouviram falar do irmão do Henfil? Pois é. O Betinho ta de novo com a gente. Que maravilha!!”
- Elis, antes de cantar Onze Fitas, diz que iria apresentar ao público uma canção de uma moça de 20 anos, “que é a coisa mais importante que eu tive oportunidade de encontrar nos últimos tempos”. A “moça” é Fátima Guedes.
- reparem que Elis, durante a parte final de “Maria, Maria”, solta um surpreendente grito: “abre a senzala!”. Por que Elis gritou isso? Difícil dizer ao certo. Arrisco dizer que ela se referia ao fim da ditadura, à volta dos exilados...
- antes de cantar seu famoso pot-pourri “Ponta de Areia/ Fé Cega, Faca Amolada/ Maria, Maria”, Elis diz que tem sentido uma certa inibição por parte das pessoas em cantar junto com elas. “Cantem!! Eu acho ótimo!”, diz Elis, explicando que assim, ela descansaria um pouco a voz e, no dia seguinte, poderia cantar dobrado novamente.
Eu havia registrado essa gravação quando a rádio Cultura a reprisou, não me lembro bem ao certo quando. Estava em fita cassete. Passei para um outro grande fã de Elis, o Leandro Arraes, do Rio de Janeiro. Acabei tendo essa fita “levada” por um outro fã de Elis, Agora, o Leandro me deu a boa notícia que havia conseguido passar essa fita para um arquivo digital. E o que é melhor...colocou-a ao alcance de todos.
Aqui está o link: http://rapidshare.com/files/94398059/Elis_1979.zip.html
Espero que todos gostem!
Escrito por Danilo Casaletti às 13h15
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