Na edição da revista " O Cruzeiro", de 12 de setembro de 1973, Elis Regina deu uma longa entrevista falando sobre diversos assuntos, como seu começo de carreira, sua amizade com o empresário Marcos Lázaro, sobre seus sonhos de infância, sobre sua ligação com e espiritismo e sobre os programa de TV.
Para esse post, eu escolhi o trecho em que ela fala sobre os apresentadores Flávio Cavalcanti e Sílvio Santos...De cara, posso avisar que a pimenta ardeu para o lado dos dois!!!
Também foi dessa entrevista que foi retirada a frase em que Elis disse que o Flávio Cavalcanti a pagava para cantar no programa dele e não para gostar dele. Essa frase solta, como sempre aparece, infelizmente, assumi um outro sentido. Mas quem ler a reportagem vai entender. Quem ler também vai saber qual o único motivo que faria Elis se apresentar no programa de Sílvio Santos.
Espero que vocês gostem....
Outro dia levaram uma gravação ao programa Flávio Cavalcanti, onde eu dizia que ele era chato. Eu o acho chato, como muitas pessoas acham. A gravação foi feita no interior de Santa Catarina- veja a má-fé – e eu estava dando uma entrevista de 45 minutos falando sobre televisão – por que é que eu não queria fazer televisão etc. Aí o cara perguntou a respeito dos programas, o que eu achava do Flávio Cavalcanti, do Chacrinha, do Sílvio. Particularmente, não posso achar nada deles porque não os conheço. Logo, não posso opinar sobre o cidadão Flávio Cavalcanti. . Não posso dizer nada, pois não sei nada da vida dele. E também não me interessa. (...) Agora como pessoa que se apresenta na televisão, faz coisas na televisão, evidentemente está exposta a um julgamento. Foi essa pessoa que eu julguei. Quer dizer – eu, realmente, acho-o muito chato, porque não consigo assistir ao seu programa inteiro. Para mim, toda a pessoa que não consegue prender minha atenção – que é a proposta dele, prender a atenção das pessoas, eu acho chato. Então me perguntaram: Ah! Mas você cantava no programa dele. Realmente cantava. Sou uma profissional, ele me pagava Cr$ 25.000,00 por 10 minutos. Só que ele me pagava para cantar no seu programa e não para gostar dele.
O programa do Sílvio Santos eu nunca fiz. Ele me parece uma pessoa muito honesta. É um camarada que, numa hora em que a TV Excelsior foi fechada e tinha uma pá de gente desempregada, cavou quadros nos seus programas para os colegas terem um ganha-pão. Uma pessoa assim merece o meu respeito. Agora, ele não faz um tipo de troço que eu me apaixone. Nunca vi o programa dele. Tentei várias vezes, mas nunca vi. É um tipo de linguagem que eu já superei há muito tempo. Não tenho nada contra- se ele quer continuar fazendo isso, está dando certo, ele está rico com isso – que Deus o ajude. Vou ficar de fora, mas acho maravilhoso esse aspecto dele. (...) A admiração pessoal que tenho por ele não modifica o que eu acho que deve ser feito na televisão.(..) Tem a sessão prêmio. Eles inventam prêmio para tudo, premiam todo mundo. Há a melhor cantora- 10 em cada programa – e com isso todo mundo vai e trabalha de graça. Dá um IBOPE incrível para a emissora. Mas há um detalhe. Se o Sílvio santos, por exemplo, em determinado momento disser que o fulano ou beltrano estão numa pior e quiser dar um jeito de fazer um programa, juntar dinheiro para dar a esses caras, eu vou ontem! Já fico na fila esperando para cantar.
Obs: Para as pessoas que gostam de copiar os textos e colocar como se fossem seus - como é o caso do fotoblog Elis Regina do Brasil - peço o bom senso de citar de onde os tiraram ou que tenham a criatividade de criar seus próprios textos.