O jornalista Ronaldo Bôscoli, primeiro marido de Elis Regina, trabalhou muitos anos na revista Manchete. Quando se casou com Elis, ele resolveu contar como foi o casamento e como ele conheceu Elis. A matéria foi capa da revista em 23 de dezembro de 1967 e traz diversas fotos do casamento. Confira a seguir alguns trechos do texto de Bôscoli:

Todos dizem Sim. Pois eu acho um simples sim muito pouco para decretar a quede de uma resistência tão longa quanto a minha. Por isso, na hora do casamento ataquei de "Perfeitamente". Pois é moçada, casei. Quando parati para a caçada a Elis, nem desconfiava do risco. Era de manhã muito cedo. Miele me avisara que Elis chegaria ao Rio. E disse: "Bicho, manda ver teu charme todo porque nossa carreira está em jogo. Se a baixinha não gostar do papo, já viu...nada feito na Tv Record. Porque lá é ela que manda e desmanda".
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Quando ela apareceu como artista já veio pronta. O que ela dissesse cantando, seria a lei dos homens. E Elis então odiava coisinhas marítimas e diminutivas. Mesmo assim topei produzir, numa Boate o show de Elis Regina. E assisti nascer a maior cantora do Brasil. E também me assisti morrendo um pouco. Não importava. Combateria à sombra. Acontece que Elis, naquele tempo, muito criança e mal orientada, tinha iniciado sua carreira com a marca de uma péssima profissional. Quer dizer, de vez em quando se aproveitada do nosso contrato de boca para não cumprí-lo. Eu e Miele ordenamos que o nome de Elis fosse retirado do show. Daí nasceu um ódio mútuo, sincero e tenaz.
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Sabem lá o que é guerrear com uma gaúcha? Pois eu entrei nessa. Acontece que as coisas não aconteceram como eu havia planejado e executado. Veio a gamação. Minha! Comecei a chegar cedo aos encontros extras de trabalho, Comecei a caprichar no físico, a ganhar dentes e a perder barriga. O resto foi o resto...Eu não vou contar . Nada de abrir o jogo.(...)Eu sempre chegava cedo ou tarde demais na vida delas. Com Elis aconteceu a minha hora de chegar na hora. As armas que lutei para chegar até Elis? Creio que foram a calma, a perseverança e o exercício do charme.
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Eu acordei de mandato cassado. Os amigos apertando a mão da gente, champanha para o juiz, beijos da sogra, mamãe chorando e ela sussurrando, irônica e vitoriosa: " Um lobo na coleira que não janta nunca mais"