"Estou me sentindo maravilhosamente bem. Pode deixar, que nesse show eu sou capaz de tudo, Menos dar à luz, é claro". Foi com esse espírito que Elis estreou seu show na Canecão, Rio de Janeiro, em março de 1970. Grávida de seis meses, Elis teve o acompanhamento do obstetra Yvan Lemgruber que garantiu que a cantora pudesse prosseguir com sua temporada de shows.
O espetáculo dirigido pela dupla Miêle e Bôscoli trazia uma Elis mais contida nos movimentos, abandonando de vez a época de "hélice-regina", mas com uma ginga e um balanço talvez nunca visto em sua voz.
O repertório do show é baseado no disco "Em Pleno Verão" e tem o acompanhamento de 22 músicos da orquestra do maestro Erlon Chaves, o mesmo que fez os arranjos para o LP.
O show começa e Elis convida a todos para uma viagem a qual diz não saber o caminho, mas que tem certeza que está muito bem acompanhada. Ela canta "As Curvas da Estrada de Santos". Elis aumenta a temperatura de sua interpretação...é o verão de Elis. A música de Roberto e Erasmo ganha força e uma verdade que nem o próprio autor conseguiu dar à canção.
Em seguida uma nova explosão "These are the Song", um "soul" de Tim Maia que Elis gravara no disco em parceria com o autor num dueto que impressiona pela técnica e potência da voz de ambos.
Gil e Caetano, compositores anteriormente por Elis, também estão no repertório do show. De Gil Elis canta "Fechado pra Balanço" e de Caetano "Não Tenho Medo", cujo autor disse não ter gostado dos arranjos e da maneira como Elis interpretou sua canção. Os dois mandaram as músicas do exílio de Londres. Era um sinal de apoio que Elis dava aos seus colegas de profissão.
O que se vê no palco é uma Elis solta e extrovertida. Ela brinca com a malandragem de Jorge Ben na música "Até Aí Morreu Neves" e faz uma sátira como os anúcios de TV em "Comunicação".
Enquanto aguardava sue primo filho, João Marcello, Elis mostrava que cada vez mais era preciso se comunicar com seu público. Foi isso que ela fez nesse show...