VEJA ENALTECE O SUCESSO DE ELIS

A revista “Veja” não traz recordações muito boas para os fãs de Elis Regina, já que uma semana após sua morte, em 1982, a revista chegou às bancas com uma capa um tanto quanto sensacionalista que mereceu protestos não só dos admiradores da cantora, como também de artistas e intelectuais.
Porém, durante toda sua carreira Elis esteve presente em muitas edições da revista semanal. A mais bonita das reportagens que a “Veja” fez com Elis saiu no dia 28 de janeiro de 1976.
Com uma linda foto na capa, a revista anunciava no seu editorial que o sucesso do espetáculo “Falso Brilhante” havia feito com que Elis fosse o destaque daquela edição. O editorial conta com detalhes o drink preparado por César Camargo Mariano para recepcionar os repórteres: Whisky Jack Daniel’s com limão e bastante gelo.
Em 8 páginas a revista relata o sucesso estrondoso do show “Falso Brilhante” e diz que os 1.200 lugares do Teatro Bandeirantes passaram a ser disputados no “câmbio negro, pelo dobro, o triplo do preço normal” e afirma que “o show é algo apoteótico como há muito não se via na música popular brasileira”.
Os jornalistas Silvio Lancelotti e José Marcio Penido contam que “ao invés de um enfileirado de canções, Elis e seus companheiros redigiram um instigante roteiro, onde idéias, emoções e ações colorem e enriquecem os números musicais. Afinal, tinham todos uma mesma história para comunicar, a do artista brasileiro, o brilhante falso que fala o título”. Paralelamente eles também contam o seu país e seu tempo.
A matéria comunica aos fãs que um disco com as canções do show virá, mas os alerta que o disco sim será um “falso brilhante”, pois nele não estarão presentes os gestos, as luzes, as entonações, as roupas, a reação empolgada da platéia e o cenário.
O texto revela o dia a dia de Elis. Conta, por exemplo, que a leitura de Elis passa por assuntos dos mais variados como as aventuras do Super-Homem, surrupiadas do filho João Marcello, e as correspondências do ginecologista francês Frederick Leboyer. Tudo isso regado a seguidas infusões de café solúvel preparadas pela própria Elis.
Sobre essa fome de conhecimento Elis diz: “Eu sou muita ligada, minha pilha está sempre nova, saca? Comigo não tem aquele negócio de motor amaciando. Sou do tipo Mac Laren, Ferrari, 300 por hora o dia inteiro. Você já pensou o que é ter permanentemente a seu lado uma pessoa ligadona assim?”
Toda essa carga “quixotesca” do show contrasta com a Elis mãe de família. Em casa, conta a reportagem, Elis cultiva hábitos comuns. Faz questão de ir a feira toda semana, vai com o marido e os filhos andar de montanha russa no Playcenter e fazer piquenique no gramado do Parque Ibirapuera. Não tem cozinheira e ela mesma prepara o trivial todos os dias, sendo especialistas em suculentas peixadas. “Nós somos bem medíocres, graças a Deus”, define Elis.
O título da capa da revista “Elis,a porta bandeira” faz referência ao final do show “Falso Brilhante” quando Elis canta com um estandarte em farrapos nas mãos. Sobre isso, Elis desconversa: “Eu porta-estandarte? Sei não. Sou uma cantora. Popular. Não levanto nada não. Eu só canto. O resto é conseqüência”
Escrito por Danilo às 17h51
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