Elis Regina Pimentinha


NOVO ENDEREÇO

O "Elis Regina Pimentinha" está de casa nova!

Espero vocês em http://elisreginapimentinha.blogspot.com.br/

Já tem post novo por lá!

Viva Elis!

 

 



 Escrito por Danilo Casaletti dcasaletti@uo às 14h37
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ELIS GANHA HOMENAGEM NO DIA DO SEU ANIVERSÁRIO

 

Quem já esteve na feirinha da Benedito Calixto, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, sabe que o lugar é inspirador. Artistas e colecionadores expõem sua arte ali mesmo, na rua. E é justamente isso que dá essa atmosfera incrível ao lugar.

Além disso, para os amantes de música, é o local ideal para garimpar vinis, compactos e fitas cassetes. Eu mesmo já encontrei por lá um compacto da Elis por míseros 5 reais. E estava muito bem conversado!

Neste sábado, dia 17 de março, dia do aniversário de Elis, o projeto “O autor na praça”, que acontece há 14 anos na Benedito, vai prestar uma homenagem a nossa querida cantora. O coordenador do projeto, Edson Lima, organizou uma tarde com leituras de trechos da biografia “Furacão Elis”, escrita pela jornalista Regina Echeverria, audição de músicas e exposição das capas de discos da Elis.

O evento ainda terá as participações da fã Carol Valença e do cartunista Junior Lopes, fazendo caricaturas do público. Tudo acontecerá no Espaço Plínio Marcos, lá mesmo na Feira de Artes da Praça Benedito Calixto, a partir das 15 horas.

A “Tarde de Elis” no projeto “O autor na praça” é aberto ao público. Uma linda iniciativa que ajuda a manter Elis onde ela sempre merece ficar: perto do povo.

A imagem de divulgação que abre esse post foi feita pelo fotógrafo Miguel Benevides, outro grande fã da Elis.



 Escrito por Danilo Casaletti dcasaletti@uo às 16h04
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O DIA EM QUE ELIS GANHOU A PARTICIPAÇÃO DE MILTON NASCIMENTO EM SEU SHOW

 

Que a Elis é a melhor interprete de Milton Nascimento não há dúvida, não é? Sim, temos lindas gravações na voz de Gal, Simone, Bethânia, Nana e, mais recentemente, Maria Rita. Mas Milton sempre confessou compor suas músicas pensando em Elis... E Elis, imagino eu, sempre deve ter cantando pensando no seu amigo e comprade com quem desejava gravar um disco.

Para este post, escolhi trechos de um depoimento que Milton me deu em 2005. Nele, o compositor fala de como conheceu Elis, dos encontros que tiveram, da amizade e carinho que um sentia pelo outro.

Também separei três registros que para muitos são inéditos, apesar desses registros circularem entre alguns fãs há algum tempo. A participação de Milton no show “Transversal do tempo”, de 1978, durante a passagem da turnê pelo Rio de Janeiro. Alguém me contou, ou li em algum grupo ou fórum sobre a Elis (me perdoem, mas esqueci mesmo), que foi uma participação surpresa. Elis não sabia que Milton subiria ao palco. O público também não sabia - reparem na reação da plateia quando Milton entra para cantar com Elis “Nada será como antes”, música que estava no roteiro do show. Depois, eles cantam “Conversando no bar” e “Caxangá”.

Um registro histórico que supera a qualidade do áudio.

Milton Nascimento fala sobre Elis:

Eu vi a Elis pela primeira vez em 1964, nem eu e nem ela éramos famosos. Foi no Rio de Janeiro, no lançamento do disco de uma cantora chamada Luiza, foi uma festa que essa cantora deu para comemorar esse lançamento. Eu já sabia quem era Elis e acabei fazendo uma brincadeira com ela, que ela detestou. Eu conhecia um rock que ela tinha gravado no primeiro disco dela, chamado Dá Sorte. Eu cantei a música e ela me mandou calar a boca.
(...)
Todas as mulheres da minha vida são ciumentas, menos Elis,. Porque ela tinha certeza que o lugar dela estava certo e que ninguém iria mexer. Depois que eu a conheci, todas as minhas músicas foram feitas para Elis e ela sabia disso, portanto não sentia ciúmes. Mas quando eu fazia uma música e dava para Elis gravar, eu causa um reboliço, todas as outras cantoras ficavam com ciúmes.
(...)
Elis e Nana Caymmi são as minhas melhores intérpretes, mas Elis tem algo especial, quando ela cantava tinha algo muito além da música, tinha toda nossa amizade. Eu fui uma das poucas pessoas, ou talvez a única, que ela nunca brigou. Quando ela estava perto de mim, sempre me surpreendia. Uma vez fomos jantar e um cara que estava conosco começou a falar mal da cantora Simone, pensando que estava agradando a Elis. Quando ele terminou de falar, a Elis deu um "baita " esporro nele, dizendo que a Simone estava trabalhando e que ele estava falando um monte de bobagens, que era para ele ficar quieto...Nunca pensei que Elis fosse tomar partido de uma outra cantora do jeito que ela fez.
(...)
Um pouco antes dela morrer, eu estava morando em Belo Horizonte e a Elis não conseguia entender o que eu estava fazendo lá. Ela me ligou e disse que a partir daquele momento ela só queria trabalhar com mineiro e que estava pegando um avião para ir me buscar, que eu tinha que ficar com ela em São Paulo. E era para fazermos um disco juntos, mas infelizmente não deu tempo.

Ouça:

UOL Busca Nada será como antes

UOL Busca Conversando no bar

UOL Busca Caxangá

 



 Escrito por Danilo Casaletti dcasaletti@uo às 16h49
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O SORRISO DA ELIS

 

Certa vez, li (ou vi) uma entrevista com o João Marcello Boscoli na qual ele contava sobre o dia em que Elis decidiu ir ao Mercado Municipal de São Paulo comprar alguns produtos. Boa cozinheira, ela mesma gostava de escolher os ingredientes. Chamava os amigos para comer em sua casa ou ligava e dizia que estava indo preparar o almoço na casa deles. Simples assim. E outra: ela nunca teve frescuras, era estrela apenas em cima de um palco.

Mas, para conseguir fazer suas compras sossegadas, Elis decidiu se disfarçar. Colocou óculos escuros e um lenço na cabeça (afinal, quem não a reconheceria, ainda mais quando usava os cabelos curtíssimos, um charme que poucas mulheres podem se dar o luxo). 

O fato é que, segundo o João Marcello, conversando com uma senhora de uma banca, Elis, até então anônima, acabou soltando um sorriso. Pronto. Foi o bastante para que a senhora e as pessoas que estavam em volta reconhecessem a Elis.

E, realmente, o sorriso e a gargalhada da Elis (quem ainda não a viu gargalhando na entrevista que ela deu ao programa Vox Populi em 1978 e riu junto?)

As fotos acima são de um ensaio para alguma publicação, provavelmente dos anos de 1966, quando Elis já fazia sucesso com o seu programa o Fino da Bossa e havia lançado o LP Elis, aliás, um álbum lindíssimo da cantora e, a meu ver, pouco comentado ou valorizado.

Escolhi essas fotos para simbolizarem o “sorriso da Elis” por  serem poucas conhecidas (ou até inéditas para muitos) e também por serem de uma fase que parecia ser “leve” para a Elis, “um sorriso ingênuo e franco/ de um rapaz novo, encantado/com vinte anos de amor”), com ela cantou alguns anos depois.

E você? Reconheceria o sorriso da Elis, mesmo com ela disfarçada?


 



 Escrito por Danilo Casaletti dcasaletti@uo às 16h08
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2012 - O ANO ELIS

 

Há exatos oito anos, quando criei esse blog, no dia 19 de janeiro de 2004, minha principal queixa era a de que Elis estava esquecida na mídia. Naquele dia em que se completara 22 anos sem a nossa cantora maior, nenhuma emissora da TV havia feito uma homenagem, nenhum jornal publicou uma matéria especial. Nada. Me restou dividir essa frustração com os internautas. E olha que eu, tolo, nem imaginaria que fossem tantos...

Hoje, neste 19 de janeiro de 2012, Elis está com tudo! Oba! Todos os jornais e revistas, de diversas partes do país, abriram seus arquivos e foram atrás de histórias interessantes para contar. Na TV, também se vê notícias sobre o projeto “Viva Elis”, que inclui exposição, livro, site e um show realizado pela filha da Elis, a Maria Rita. Tudo encabeçado por João Marcello Bôscoli, o filho mais velho de Elis.

O que mais fãs como eu, que anos e anos vasculhei sebos, lojas de discos e colecionadores por aí atrás de informações, fotos e matérias da nossa “pimentinha”, poderia querer?

Entre tantos textos e homenagens, eu destaco um escrito por Caetano Veloso na edição do último domingo (15 de janeiro) para o jornal O Globo, que dedicou quatro páginas a Elis. Nesse texto, Caetano diz, de forma genial (e poderia ser diferente) a importância de Elis para a música popular brasileira.”Quem entende de música no mundo todo sabe que Elis é uma das maiores que já houve”, escreveu o compositor. E ainda há quem diga que Elis e Caetano não combinavam muito. Ela, de primeiro, criticou sua música puglada. Ele, não gostou de uma ou outra interpretação dela para suas músicas.

No final era amor. Elis declarou, e está gravado no disco de 69, que Caetano era um “gênio”. Nesse texto publicado no último domingo, Caetano fala que via Elis cantar para se sentir bem.

Comemoremos, “talifãs” de Elis! Ela está aí, viva! Elis vive! Como dizia aquela espontânea frase pichada pelos muros das cidades logo após a sua morte. (E, digo: foram esses fãs que seguraram a memória de Elis durantes esses anos todos)

Outro dia, conversando com um amigo que também é fã de Elis, nos questionamos se somente agora chegaram a conclusão de que ela é a maior de todos. Talvez sim. Mas o tempo foi preciso. Foi como se esperassem 30 anos para que outra tão boa ou melhor que Elis surgisse. Não apareceu. Enfim, deram o braço a torcer!

Leia o texto de Caetano Veloso



 Escrito por Danilo Casaletti dcasaletti@uo às 00h05
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ELIS E ADONIRAN: UMA DUPLA QUE SEMPRE DEU SAMBA

 

Elis e Adoniran se encontraram diversas vezes pela vida. No primeiro encontro, no programa O Fino da Bossa, Elis não segurou as gargalhadas diante da irreverência de Adoniran. Em 1978, transformou o samba “Saudosa Maloca” em quase uma lamento. A crítica avacalhou, Adoniran adorou. Rendeu um passeio no Bixiga... Tudo acertado! Ainda teve o “Tiro ao álvaro”, em 1980. Na mosca! No livro Adoniran, uma biografia (Editora Globo), o jornalista José de Campos Jr. relatou os encontros de Elis e Adoniran. O sambista morreu meses depois de Elis e, até no último momento, encontrou uma forma de homenageá-la. Abaixo, transcrevo alguns trechos do livro:

 

Os dois na bossa

No dia 12 de julho de 1965, interpretando “Saudosa Maloca”, Elis recebeu Adoniran Barbosa no palco do superlotado Teatro Record para uma histórica entrevista de 10 minutos. O ponto alto do quadro foram os duetos de Elis e Adoniran: acompanhada pelo violinista Mário, da dupla cantou “Prova de carinho” e “Bom dia, tristeza” (...)

Com o êxito de O fino da bossa, a Record recebeu a proposta da TV Excelsior fluminense para realizar uma versão semanal do programa no Rio de Janeiro. (...)

Quando Alberto Helena resolveu relacionar Adoniran como convidado especial de um dos programas, alguns integrantes do staff do programa questionaram se o compositor teria o mesmo tratamento do público carioca. (...)

A resposta veio antes mesmo da entrada do convidado. Assim que Elis anunciou o artista, o público, de pé, entoou em uníssono os versos de “Trem das onze”, em um coro tão perfeito que assustou até mesmo os produtores do programa. (..) Foi somente de muita insistência da produção que Elis se despediu de Adoniran.

 

 

A verdadeira “Saudosa Maloca”

Produção e estrela de Transversal do Tempo corriam contra o próprio para deixar tudo acertado bem antes da estreia nacional do show, marcada para 17 de novembro no Teatro Leopoldina, em Porto Alegre. Mas a cantora encontrava dificuldades para contatar o autor de uma canção que não abria mão de levar ao palco. (...) Elis disse que estava tentando marcar um encontro com Adoniran  a fim de pedir a ele a autorização para interpretar “Saudosa Maloca”, mas o compositor sempre dava um jeito de escapar. A cantora começou a ficar preocupada e pediu a intercessão de Walter Negrão. O autor ligou então para o colega, e descobriu que o compositor não estava mesmo com muita voglia de encontrar a cantora – o motivo, ninguém nunca soube. Macaco velho, poré, Negrão conseguiu dobrar o veterano, marcando assim um encontro na Padaria Real, próxima à Tupi.

(...) O compositor esperou Elis em um final de tarde na Real, ao lado de Negrão. Os minutos se passavam e nada de a cantora chegar. Adoniran, impaciente, ameaçou ir embora mais de uma vez. Após algumas doses de espera, Elis desembarcou de moto (a foto que abre esse post é desse encontro), na garupa de César Camargo Mariano. E os quatro deram início a uma conversa descontraída, em que Adoniran, como era de esperar, cedeu aos encantos e autorização a interpretação de “Saudosa Maloca” (...)

Adoniran ainda voltaria a se encontrar com Elis no final do ano, para as gravações de Ano Novo da cantora, exibido no dia 1º de janeiro de 1979 pela Rede Bandeirantes.

(...)
Em 1979, também chegaria ao mercado o LP do show Transversal do Tempo, gravado ao vivo no Teatro Ginástico do Rio de Janeiro. “Saudosa Maloca” estava entre as dez selecionadas, para felicidade de seu autor, que creditava a Elis o revival da música.

 

“Saiu bom?”

O produtor Fernando Faro vinha planejando um terceiro álbum do compositor desde 1978. O produtor selecionaria a nata do elenco da Emi-Odeon para homenagear o aniversariante. (...)

A descontração do homenageado só foi quebrada no dia programada para a participação de Elis. Antes mesmo do horário da gravação, Adoniran estava nervoso, dizendo que a Pimentinha não vinha. Envolvida com a estreia de seu show Saudades do Brasil, a cantora realmente atrasou à beça. A cada dez minuto, o compositor virava-se para o artista gráfico Elifas Andreato e recomendava: “Vamos embora. Ela não vem.Ela está muito ocupada com outras coisas, imagina se vai ter tempo pra mim”. Quando Elis finalmente chegou a Botafogo, deu um longo abraço em Adoniran e entrou sem demora no estúdio para realizar o primeiro ensaio  de “Tiro ao Álvaro”. O veterano artista olhou para Elifas, incrédulo: “E não é que ela veio mesmo, rapaz?”

O duo e Elis e Adoniran seria o ponto alto do disco, tanto que a gravadora resolveu prensar um compacto simples com a música para distribuí-la para a imprensa com divulgação da obra.

 

Adeus, Elis, adeus, Adoniran

Adoniram sentiu demais a morte da Pimentinha, e fez questão de marcar presença na programação do Mês Musical Elis Regina, a ser promovido pela Secretaria Municipal da Cultura em março.

(...)

Por volta das 5 horas do dia 23 de novembro de 1982, Adoniran entrou em coma; às 17h15, no quarto 503, sob os Olhares da mulher e da cunhada, parou de respirar.

O último tributo, porém veio com o toque de silêncio do instrumento do corneteiro-mor da Sociedade dos Veteranos de 32, Elias do Santos, que  atendeu um pedido feito por Adoniran alguns meses antes. O compositor contou ter se emocionado com o toque de missão cumprida executado pelo veterano no enterro de Elis e registrou “Não se esqueça de mim. Mas eu não quero o toque de missão cumprida. Quero o toque de silêncio”

 



 Escrito por Danilo Casaletti dcasaletti@uo às 17h14
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ELIS E O MARAVILHOSO ANO DE 1974

Elis1974


O ano de 1974 foi de muito trabalho para Elis. É o ano do Elis & Tom, do Elis 74, de sua mudança do Rio para São Paulo, do seu show de inauguração do Teatro Bandeirantes, da continuidade dos shows do Circuito Universitário que ela havia iniciado um ano antes e de seus recitas no Teatro Maria Della Costa e Teatro do Tuca, ambos em São Paulo.

 

Muitos consideram essa fase de Elis como a mais técnica, a mais fria. Acho isso uma injustiça. Prefiro chamar de precisa. Basta ouvir Maria Rosa ou Caça a raposa para entender que não havia anda frio ali. Nem morno. Elis não era de fazer nada dessa maneira. Gosto muito do Elis & Tom e do Elis 74. Uma aula de música. Dada, é preciso dizer, por Elis, Tom, César e seu conjunto.

 

Bom, mas vamos voltar ao motivo do post. Como vocês viram, disponibilizei o programa do show que Elis fez no Teatro Maria Della Costa. Uma temporada de um mês, entre maio e junho. O que me chamou atenção foi o repertório. Delicioso, por sinal, e diferente do show que ela fez no Teatro Tuca, no final do mesmo ano. Elis mistura canções do álbum de 74, com canções de Tom e do disco de 73. Além disso, aparece pela primeira vez a canção “Aqui é o país do Futebol”, de Milton e Fernando Brant. Também aparece uma canção para mim desconhecida na voz de Elis: Tradição, composta por Gilberto Gil. É um samba muito gostoso, bem Gil, que já foi registrado pelo autor em três discos (1973, 1979 e 1993). Nem preciso dizer que fiquei louco para ouvir na voz da Elis! Aliás, parece ter sido feita pra Elis!

 

Mas, vamos ao repertório do show:

 

Na batucada da vida

Ladeira da preguiça

Travessia
País do futebol

Amor até o fim

Retrato em preto branco

Modinha
Corcovado
Triste

Só tinha que ser com você
Chovendo na roseira

Folhas Secas
Cadeira vazia
General da banda
Águas de março

Bola ou búlica
Dois pra lá, dois pra cá
Caçador de esmeraldas
Caça a raposa
Agnus sei

Pois é

 

O programa do show ainda traz a frase que Elis dizia nos shows: “Já não é simples reunir a intenção pura ao ato de cantar. Já não é tão fácil mostrar novas músicas quando existem dificuldades para encontrá-las. A voz e o modo mudam tudo”

  

P.S Escrevo este post, não por coincidência, no dia 19 de janeiro. Há exatos 5 anos do nascimento deste blog. À época, estava chateado porque achei que Elis estava esquecida. Não havia nada programado para lembrar a morte dela (leia aqui o post inaugural ) e eu resolvi “protestar criando esse espaço. Hoje, ainda bem, todos que querem lembrar Elis podem colocar um DVD para rodar, ir ao YouTube e ver vídeos postados por gente do mundo todo, ouvir todos os seus discos remasterizados. Isso me enche de felicidade. Por isso, resolvi lembrar Elis com o post acima. Lembrar sua obra, sua vida, suas canções. Espero que vocês tenham gostado. Elis Vive!!!

 



 Escrito por Danilo Casaletti dcasaletti@uo às 01h11
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ELIS GANHA HOMENAGEM DA MANGUEIRA

No encarte do disco “Elis Especial”, de 1968, Elis escreveu que a Mangueira não dava pé só na avenida, mas também nos shows. Por isso, nesse álbum, ela incluiu um pout-pourri de sambas da Estação Primeira, como Fala, Mangueira, Exaltação à Mangueira, entre outras. O mesmo pout-pourri já havia sido registrado um ano antes, em “Dois na Bossa número 3”, em uma versão ao vivo. Além disso, Elis gravou outras músicas relacionadas à Mangueira, como Folhas Secas (1973) e Basta de Clamares Inocência (1979), uma das últimas composições de Cartola, um dos fundadores da escola.

 

Neste ano, a Estação Primeira de Mangueira traz um enredo em homenagem à música popular brasileira. “Mangueira é a música do Brasil” vai trazer alas que representam as diversas vertentes de nossa música, como a bossa nova, a tropicália, a era dos festivais, o rock, etc.

 

Elis será homenageada como uma ala dedicada à música “Arrastão”, vencedora do I Festival de Música Popular Brasileira, em 1965. Foi nessa aparição que Elis se tornou conhecida nacionalmente e deu seus primeiros passos para se tornar a maior cantora do país. Lembro que um dia conversando com a cantora Claudette Soares, um dos desafetos mais conhecidos da Elis, ela me disse que quando Elis subiu ao palco e cantou “Arrastão”, todas as cantoras que estavam esperando para se apresentar, inclusive ela, disseram “Vamos embora, essa mulher já ganhou”....

 

A fantasia da ala está na foto abaixo. Custa R$ 700,00 e pode ser feita em qualquer tamanho. Quem quiser desfilar, deve entrar em contato com Rafael Garcia ou Selma Couto (21) 3238-3389 / 9663-1664 / 7850-0129. A Mangueira será a ultima escola a desfilar na segunda-feira (15/02) de carnaval.



 Escrito por Danilo Casaletti dcasaletti@uo às 18h20
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SHOW "ESSA MULHER": 30 ANOS DE ESTREIA

A capa do suplemento do Jornal do Brasil mostra o que seria mais um show de sucesso de Elis. O ano era 1979, e Elis colhia os frutos da música O bêbado e a equilibrista (João Bosco e Aldir Blanc) ter caído na boca do povo e se tornado o Hino da Anistia.

 

O show Essa Mulher caiu na estrada no dia 30 de agosto, há exatos 30 anos, menos de um mês depois de Elis voltar de uma temporada internacional, onde se apresentou em festivais de jazz em Montreux (Suíça) e Tóquio e na Bélgica, ao lado do gaitista Toots Thilemans.

 

Segundo o jornalista Zuza Homem de Mello escreveu à época, Elis voltava ao Brasil “para mostrar, com seus músicos ( Moreno, Nenê, Chacal, Crispim e Ricardinho Silveira) e César Mariano, como é a Elis internacional”. Elis vinha de dois outros grandes shows de sucesso Falso Brilhante e Transversal do Tempo e, dessa vez, havia decidido se focar mais na música, abrindo mão de cenários e objetos de cenas tão explorados nesses dois trabalhos anteriores.

 

Aliás, o show não trazia quase nem cenário, apenas um pano branco no fundo do palco com a imagem de uma orquídea. A flor também aparecia nos cabelos de Elis, que agora estavam compridos. O vestido, um longo rosa com bolinhas brancas, foi desenhado pelo estilista Clodovil. Há também imagens de Elis se apresentando em Porto Alegre com outro figurino, um conjunto branco.

 

elis orquidea

 

No repertório algumas canções dos discos, como os sambas Eu, hein Rosa, Cai dentro, Basta de clamares inocência (que abriam o show), além de Essa Mulher, As aparências enganam e O bêbado e a equilibrista. Eu, particularmente, acho que todas poderiam estar no roteiro. Senti falta, principalmente, da belíssima Altos e Baixos, que se encaixaria no roteiro antes ou depois de As aparências enganam, e Pé sem Cabeça (acho que Elis arrebentaria cantando ao vivo).

 

Elis ainda restaria os antigos sucessos A Comadre (1973), Conversando no bar (1974) e Um por todos (1976). Ela também cantava Corsário, apresentada por ela em um especial da TV Bandeirantes e que, infelizmente, nunca entrou em nenhum disco de carreira de Elis.

 

Havia também canções novas que Elis incluiria em seu LP duplo saudades do Brasil, lançado um ano depois: Onze fitas, Menino, Mundo novo, vida nova, Agora tá e Maria, Maria.

 

A temporada de shows do Essa Mulher começou no final de agosto de 1979 e prosseguiu até ouço antes do Natal, passando por quase todas as capitais brasileiras. Segundo o programa do show, a turnê de Elis iria passar pelos seguintes locais: 30/08 a 06/09 – Interior de São Paulo; 14 a 16/09 – Anhembi/ SP; 17/09 a 06/10 – Sorocaba, Campinas, Mogi das Cruzes, Ribeirão preto, Piracicaba, Limeira, Uberaba, Uberlândia, Rio Preto, Araras, São Carlos, Bauru, Marília, Lins, Presidente Prudente, Londrina, São José dos Campos, Jundiaí, Taubaté e Santos; 09 a 21/10 – Porto Alegre; 25 a 28/10 – Curitiba; 31/10 a 18/11 – Belo Horizonte; 22 a 25/11 – Brasília; 28 a 31/11- Belém; 01/12 – São Luiz; 02/12 – Teresina; 05 a 09/12 – Fortaleza; 11 a 16/12 – Recife; 18/12 – Aracajú; 19 a 23/12 – Salvador.

 

O programa do show - tradicionalmente distribuídos pelas gravadoras, e que, hoje em dia, caiu em desuso - também traz o texto que Elis escreveu para apresentar o espetáculo e que já foi reproduzido no CD Elis – Ao Vivo, que traz o registro ao vivo do Essa Mulher. Aqui, reproduzo a linda foto que acompanhou o texto no livreto:

 

 elis essa mulher

 

O registro ao vivo do show Essa Mulher em uma das apresentações no Anhembi (SP) foi lançado pela WEA em 1998. Há também uma outra versão que circula pela internet com uma gravação registrada pela Rádio Cultura, também em São Paulo. Nessa gravação, Elis aparece um pouco rouca (era a segunda apresentação dela na mesma noite) e anuncia a presença do sociólogo Betinho (o irmão do Henfil) na plateia.

 

 

Sobre o disco “Essa Mulher”

 

Em entrevista à revista Música, número 34, de 1979, Elis falou um pouco do disco Essa Mulher, lançado em julho de 1979, que deu origem ao show. A revista diz que Elis está numa fase “mais fatale e menos ‘pimentinha’”. Na foto abaixo, Elis aparece ao lado do produtor Marco Mazola e do cantor Cauby Peixoto durante as gravações do disco.

 

elis e cauby

 

Música  - Como foi a preparação de seu novo disco?

Elis – O disco foi muito simples, teve que necessariamente ser simples, pois estava atravessando um período de muita turbulência, depois de estar 15 anos na Philips e passando para a WEA. A excitação da mudança, precedida por uma ansiedade minha em sair de onde eu estava, sacando que não dava mais pé, me levou a um papo com Midani (diretor da gravadora) e o Mazola (produtor), que me apresentaram um plano de trabalho complexo, que seria levado a cabo no Brasil e no exterior. Isso para um profissional é ótimo, mas o deixa também baratinado.

 

Música – E como surgiu a elaboração do repertório?

Elis – Bem, pelo curto prazo de tempo em que o disco foi feito, não deu para elaborar muito, tinha uma porção de música que eu já tinha mais ou menos selecionado. (…) A primeira música que me tocou muito foi Essa Mulher.

 

Música – E o resto de repertório, como pintou?

Elis – (…) Procurei fazer um disco parecido comigo, outras propostas, outros enfoques e debates mais profundos na colocação de certas músicas no repertório, me parecia difícil de ser feita, num momento em que nós todos, como sociedade, estamos atravessando por um período de transformações muito grande. A gente não sabia o que estava vivendo, nem o que ia viver.

 

A revista também traz a listas de discos, compactos, músicas mais executadas, músicas do mês, entre outras. Elis aparece nas seguintes categorias:

 

 

Músicas do Mês

1º lugar  Não chores mais – Gilberto Gil

2º lugar  O bêbado e a equilibrista – Elis Regina

 

Elepês

1º lugar  Pai Herói Internacional

2º lugar  Álibi – Maria Bethânia

3° lugar  Elis, Essa Mulher – Elis Regina

 

Discos do mês

1º lugar  Eu Canto - Fagner

2º lugar  Álibi – Maria Bethânia

3° lugar  Elis, Essa Mulher – Elis Regina

 

Mais vendidos das gravadoras

WEA

1° lugar - Elis, Essa Mulher – Elis Regina

Agradecimentos a Leandro Arraes que enviou a imagem que abre esse post



 Escrito por Danilo Casaletti às 02h11
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"A CADA DIA QUE PASSA QUERO SER MAIS FELIZ"

Pode parecer clichê, mas, lembrar Elis nesse 19 de janeiro, é lembrar de sua vida. Vida que ela amava, vida que ela dedicava à sua música,  aos seus filhos, seus amigos, ao Brasil e ao planeta.

O texto abaixo é de uma entrevista para a revista Manchete, na época do show "Trem Azul". Elis estava ensolarada! Ela queria dividir os raios desse sol com todos, principalmente com o público que lotava seu show e fez dele o melhor espetáculo de 1981.

"Apesar de a gente saber que nada será como antes, não há por quê não tomar o trem azul. Quem sabe um dia o sonho volta? Aliás, o sonho não acabou., o meu sonho realmente não acabou, mas, como fico visceralmente abalada com as coisas que acontecem, é claro que vou ficar preocupada.

Preocupada com as pessoas. Isso que está aí não aceito; não faço parte dessa roda. Mas, como acredito profundamente no ser humano, acho que nem tudo está perdido. E vou trabalhar para a melhoria do planeta, do meu jeito. Porque a cada dia que passa mais acredito no grupo, na gargalhada, na leveza, na força do sol atuando em cima das pessoas, a cada dia que passa quero ser mais feliz, batalhando para ser uma pessoa tranquila diante de mim mesma e de meu espelho. Continuo com os passarinhos, com as flores, as cascatas e os rios. Sou uma pessoa antiga. Não vou trair minha cabeça, meu jeito de ser; apesar que até dei uns avanços. Mas daí, Deus é quem sabe, tá sabendo?"



 Escrito por Danilo Casaletti às 10h44
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Hoje, dia 17 de março, seria o aniversário de Elis…63 anos. Como sempre faço, para homenageá-la, coloquei aqui uma matéria. Escolhi um revista de 08 de janeiro de 1966, chamada Fatos&Fatos. É uma matéria de quatro páginas na qual Elis comenta assuntos como sua carreira, sua música e seus planos para o futuro. Na verdade, é mais um depoimento do que uma matéria. As fotos também fazem parte da edição.


O que chama atenção é a cabeça que Elis tinha aos 20 anos. E mais. Com pouco tempo de carreira, ela já tinha uma consciência de sua carreira e do seu papel na música que poucos artistas, mesmo com anos de estrada, têm.

 

Elis termina a matéria dizendo “até a volta”…Até, Elis!

 

Esta é a primeira vez que tenho a chance de comunicar-me com quem eu gosto, sem ser através da música: vou tentar mostra-me numa reportagem. Muita coisa vou deixar escondida, que não é bom desnudar-me inteiramente, mas tentarei mostrar muito de mim, muito do que até agora estava escondido. Se alguém se der o trabalho de ler nas entrelinhas, vai ver muito mais.

(…)

Vou-me embora dia 6 de janeiro, para a Europa, refazer-me do trabalho imenso que tive em 1965, ano ótimo sob todos os aspectos, o melhor da minha vida. Pretendo ir a Portugal, França, Itália, Espanha, Egito, Grécia e , se o tempo e os dólares permitirem, até Israel. Na Grécia, por exemplo, vou entrar com uma fita métrica na mão e medir pedra por pedra do Paternon, as portas, tudo direitinho, só para saber se aquele catatau que me obrigaram a decorar no colégio é verdade…

(…)

Nunca poderei esquecer o que me deram no Teatro Paramount. Nunca vou esquecer, por mais que eu viva, o que recebi no Teatro Record, durante os sete meses de O Fino da Bossa. Desde pequena, meu sonho era essa Minha Gente. Sempre sonhei viver nesse mundo, ter tudo o que tenho. Para isso eu deixei minha terra, minha escola, meus amigos, que eram muitos. Vim com medo, indecisa. Não sabia o que era certo esse mundo.(…) Decidi que alcançaria, seguiria em frente, custasse o que custasse, fossem quais fossem as conseqüências.

(…)

Muita gente se pergunta que sou eu: leviana, alegre, extrovertida, realizada, triste ou só? Pouquíssimos são os que me conhecem. No fundo, Elis Regina é uma “menina-velha”, conseqüência única e exclusivamente da vida e do mundo em que vive. A pessoa vai se transformando a cada dia. Não me preocupo com a vida de ninguém, não me interesso se estão andando com a perna para cima ou para baixo, o que me importa nas pessoas não é o que elas fazem, mas o que elas dão de si.


Numa palavra: eu sou eu mesma.e é difícil descrever-me. Gosto de calor humano, preciso de afeto. Elis Regina Carvalho Costa tem vinte anos e é completamente diferente de Elis Regina, a cantora, mulher de quarenta anos bem vividos. Quem conhece uma, não conhece a outra, pois uma não vive em função da outra.

(…)

Minha música sai natural e espontânea. Eu faço cara feia, sou exagerada nos gestos? E eu com isso? É um problema de quem o acha. Eu sinto as coisas assim e eu simplesmente recorro a isso tudo porque às vezes a palavra não é suficiente para demonstrar as pessoas tudo que se quer dizer, não tem força para isso. O gesto é meu, o repertório quem escolhe ou eu, as letras, as músicas e tudo mais também refletem muito de mim.Música para mim é a única razão de ser, minha vida gira toda m função dela.

(…)
O público é um negócio tão bacana, espera algo da gente, com olhos de pidão, eu  nada mais posso fazer além de procurar satisfazê-lo. Meu carinho é tão grande, que não posso definir. Sinto-o apenas. E só posso dizer: muito obrigada e até a volta em março. Prometo tudo de mim.



 Escrito por Danilo Casaletti às 02h11
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ELIS (ROUCA) EM ESSA MULHER

Em 1979, Elis estreou seu show Essa Mulher, que tinha como base o repertório do CD homônimo, lançado no mesmo ano.

 

Além de incluir no show músicas como “Eu, Hein Rosa”, “Cai Dentro”, “Essa Mulher”, “O Bêbado e a Equilibrista” (grande sucesso do ano que virou o hino da Anistia) e “Basta de Clamares Inocência” (inédita de Cartola lançada por Elis), Elis resgatou para as apresentações a deliciosa “Comadre” (João Bosco e Aldir Blanc, gravada por ela em 73), “Um Por Todos” (da mesma dupla, lançada no disco Falso Brilhante) e “Conversando no Bar” (gravada por Elis em 74 e que ganharia outra versão no disco Saudades do Brasil, de 80).

 

Com um vestido rosa assinado pro Clodovil, cabelos longos ladeados por uma orquídea (como Bille Holliday), Elis também apresentava no show algumas canções inéditas, como “Agora ta”, “Onze Fitas”, “Menino” e “Mundo Nova, Vida Nova”, todas gravadas por ela no ano seguinte no álbum Saudades do Brasil.

 

O registro ao vivo do show foi lançado em 2005, sob o título “Elis Vive”. Mas, o que eu apresento agora para vocês é uma outra versão desse mesmo show, gravada pela Rádio Cultura de São Paulo em setembro de 1979, no Palácio das Convenções do Anhembi, onde o “Essa Mulher” cumpria sua temporada paulista.

 

Curiosidades dessa gravação:

 

- nota-se que Elis estava rouca neste dia. Explico: aquela era a segunda apresentação de Elis na mesma noite. A primeira havia começa às 18h, e, a segunda, depois das 20h. O motivo? Primeiramente o sucesso do show. Mas, uma presença muito importante na platéia dava à apresentação um sentido histórico: Hebert de Souza, o Betinho, o irmão do Henfil, havia acabado de voltar do exílio e, segundo relatos, foi direto ao show para ouvir de perto “O Bêbado e a Equilibrista”; Claro que Elis fez questão de anunciar a presença dele. “Você já ouviram falar do irmão do Henfil? Pois é. O Betinho ta de novo com a gente. Que maravilha!!”

 

- Elis, antes de cantar Onze Fitas, diz que iria apresentar ao público uma canção de uma moça de 20 anos, “que é a coisa mais importante que eu tive oportunidade de encontrar nos últimos tempos”. A “moça” é Fátima Guedes.

 

- reparem que Elis, durante a parte final de “Maria, Maria”, solta um surpreendente grito: “abre a senzala!”. Por que Elis gritou isso? Difícil dizer ao certo. Arrisco dizer que ela se referia ao fim da ditadura, à volta dos exilados...

 

- antes de cantar seu famoso pot-pourri “Ponta de Areia/ Fé Cega, Faca Amolada/ Maria, Maria”, Elis diz que tem sentido uma certa inibição por parte das pessoas em cantar junto com elas. “Cantem!! Eu acho ótimo!”, diz Elis, explicando que assim, ela descansaria um pouco a voz e, no dia seguinte, poderia cantar dobrado novamente.

 

Eu havia registrado essa gravação quando a rádio Cultura a reprisou, não me lembro bem ao certo quando. Estava em fita cassete. Passei para um outro grande fã de Elis, o Leandro Arraes, do Rio de Janeiro. Acabei tendo essa fita “levada” por um outro fã de Elis, Agora, o Leandro me deu a boa notícia que havia conseguido passar essa fita para um arquivo digital. E o que é melhor...colocou-a ao alcance de todos.

 

Aqui está o link: http://rapidshare.com/files/94398059/Elis_1979.zip.html

 

Espero que todos gostem!



 Escrito por Danilo Casaletti às 13h15
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Caros,

A imagem acima é da capa e contra-capa da nova edição do livro Furacão Elis, de Regina Echeverria, que a Ediouro acaba de lançar. A festa de lançamento aconteceu no último dia 27 de março, na Casa das Rosas, em São Paulo.

Abaixo, eu deixo um link da um entrevista que fiz com a Regina. Nela, ela fala sobre o relançamento do livro, a polêmica em torno da morte da Elis e diz que gostaria que Ana Paula Arósio vivesse Elis no cinema.

http://revistaquem.globo.com/Quem/0,6993,EQG1502010-3428,00.html

 

 



 Escrito por Danilo às 18h17
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PARABÉNS ELIS!

Acho que a melhor imagem que podemos ter de Elis é essa: uma pessoa brincalhona que sempre estava pronta para mostrar seu sorriso...Elis, esperamos que a festa aí no céu seja boa!! Enquanto isso, cante mais uma para nós!



 Escrito por Danilo às 20h01
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Caros,

Andei pensando em o que publicar aqui para homenagear Elis. Mas – ao longo desses mais de 10 anos em que sou fã da Elis – descobri que toda e qualquer homenagem – por mais que seja válida – é muito pouco diante da importância dela para a música brasileira e, sem dúvida, perante a tudo que ela "fez" para mim através das canções que ela deixou gravadas, dos shows que fez e das entrevistas que concedeu.

Por isso, nestes 25 anos sem ela, resolvi relembrar a Elis que mais gostamos: cheia de planos para o futuro, de bem com a vida, alegre e, como sempre, acionando a sua metralhadora giratória (eu pelo menos adoro isso).

A entrevista que resgato neste post foi concedida à revista Manchete no início de 1981. Elis estava em Los Angeles, na casa do músico Wayne Shorter, ensaiando e escolhendo repertório para o tão famoso disco que fariam juntos e que acabou não dando certo. Elis já estava seperada de César, e foi nesta viagem que surgiu o boato de que Fábio Júnior havia acompanhado ela.

Na entrevista concedida a jornalista Valéria Burgos, Elis fala de Fábio Jr, dos planos de Wayne para os disco, das músicas que ele compôs especialmente para ela, da sua mudança da Serra da Cantareira para o centro de São Paulo e avisa "Ninguém vai fazer da minha vida uma novela!"...Confira:

Dizem que o Fábio Jr. veio com você nesta viagem a Los Angeles, e que ele também está incluído nos planos de Wayne Shorter. É isso ou há mais coisa?

ElisNão é nada disso

Mas você conhece o Fábio?

ElisConheci. Mas nem sei se ela está nos Estados Unidos

Como surgiu a idéia de gravar com Wayne Shorter?

ElisSurgiu quando eu estava no Japão. Ele então me convidou para fazermos um disco juntos., mas não pensei que isso acontecesse tão de repente assim. No Natal, liguei para Wayne desejando-lhe felicidades e ele me disse para pegar o primeiro vôo e vir para Los Angeles. E aqui estou, na casa dele. E também passei um bom fim de semana e Nova York

É a primeira vez que vem aos Estados Unidos?

Elis - É. Eu e Wayne devemos ir ao Brasil em fevereiro, a fim de fazermos a pré-produção. Em março, estaremos gravando. Em abril, a gente volta para Los Angeles para os aparatos finais: capa, mixagem, essas coisas todas.

O disco será em inglês ou português?

Elis – A gente ainda não sabe direito. Wayne campôs muitas canções, ainda sem letras. No momento é isso que estamos discutindo e planejando.

Wayne compôs especialmente para você?

Elis – Foi. São músicas lindíssimas. Estou muito emocionada, tanta coisa começou a acontecer ao mesmo tempo...Tenho certeza que agora minha vida vai mudar. Estou pulando inteirinha. Vibrando.

Mas antes você afirmou que não queria mais compromisso com nada...

Elis – Quero dizer, apenas estou livre, leve e solta...na vida. Vou morar no centro de São Paulo., de novo. Já tenho um pequeno apartamento no Rio, devo alugar outro em São Paulo e mais um em Nova York.

Você deve saber que em Nova York a colônia brasileira é pequena e a fofoca não deixa de existir. Lembra-se do caso de Roberto Carlos?

Elis – Pois é. Mas no Brasil a mesma coisa está acontecendo comigo. Eu fico tranqüila, sob controle. Ninguém vai fazer da minha vida uma novela. Não vou sair da minha estrada por causa de fofocas. Sabe, quem paga minhas contas sou eu. (...) Alguma coisa está mudando em minha vida. Mas ainda nãos ei para onde vou. Sei apenas que não sou mais a mesma pessoa.

Saberia definir essa nova pessoa?

Elis – Não sei para onde ela está indo. Tudo leva a crer que será uma pessoa legal.

É uma espécie de renascimento seu?

Elis – Não. Starting over...just like starting over, como dizia Lennon. Sei apenas que estou na metade do caminho, há ainda uma porção de coisa a ser feita. Eu me soneguei muito. Agora apareceu, está na minha frente e eu preciso domar o bicho. Tenho de domar a fera. Olha, viver é a melhor coisa do mundo...É ótimo!

Obs: Na primeira foto, Elis está com Wayne Shorter, na casa dele, em Los Angeles. Na segunda foto, Elis está com a mulher de Wayne



 Escrito por Danilo às 16h21
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